(João Gomes, in Facebook,04/11/2025)

As palavras de Zelensky soam entre ruínas e sirenes: “A Ucrânia está pronta a aderir à União Europeia.” Disse ele hoje! Mas basta um olhar lúcido para perceber que esta afirmação é menos um anúncio político e mais um grito simbólico de sobrevivência. A Ucrânia não está pronta para nada – não sabe o seu destino político, não sabe quem a governará dentro de dois ou três anos, e muito menos sabe em que condições ela existirá quando a guerra finalmente se calar.
A verdade é que, perante a devastação quase total das suas infraestruturas energéticas e industriais, a destruição das colheitas, a fuga de milhões de cidadãos e a ocupação de mais de um quinto do território, falar em adesão à União Europeia é, no mínimo, uma fuga para a frente. É o reflexo de um país encurralado, que procura esconder a dor sob a capa de um futuro europeu idealizado – um futuro que, mesmo no melhor dos cenários, só poderia tornar-se realidade por volta de 2040, e ainda assim sob condições profundamente incertas.
Zelensky vive entre a resistência e a retórica. Transformou-se, com o apoio de uma comunicação ocidental eficaz, no símbolo da luta liberal contra o que “cheira a russo”. Contudo, por detrás da imagem mediática, há um país exausto, dividido e sem um projeto político coerente para o pós-guerra. A liderança ucraniana continua presa a um discurso de “vitória total” que já poucos acreditam ser possível. E, enquanto isso, cada dia de conflito aprofunda a dependência financeira e militar de Kiev em relação ao Ocidente.
O Ocidente, por sua vez, não tem uma estratégia clara de saída. Apoia a Ucrânia para não perder face, mas evita comprometer-se com objetivos tangíveis. Fala em vender ou utilizar ativos russos congelados, uma manobra que vários juristas europeus consideram ilegal e perigosa, pois abre precedentes que minam a própria credibilidade da ordem jurídica internacional que a União Europeia diz defender. E é nesse cenário de hipocrisias cruzadas que se mantém a ilusão de que a adesão ucraniana é um objetivo realista.
Entretanto, a Rússia prossegue o seu jogo de paciência. Desde 2014, Moscovo tem repetido as mesmas exigências: neutralidade da Ucrânia, respeito pelas minorias russófonas, e garantias de que o país não será uma plataforma militar da NATO. Foram avisos ignorados – ou talvez convenientemente abafados – num contexto em que a retórica de confronto parecia servir a todos: a Putin, para consolidar o poder; a Zelensky, para enganar um país fragmentado; e ao Ocidente, para justificar o fortalecimento de uma fronteira geopolítica que se tornou, de novo, o “muro de contenção” da Europa.
Hoje, porém, a realidade impõe-se: a Ucrânia não tem forças para vencer, nem margem para negociar. O seu futuro dependerá menos da vontade dos seus líderes e mais dos cálculos estratégicos de Washington, Bruxelas e Moscovo. E é por isso que o sonho europeu soa, neste momento, a miragem. Porque não há “porta da UE” aberta – há apenas um corredor de incertezas, onde cada passo pode significar a perda de mais um pedaço de soberania, de território ou de esperança.
“Fugir pela porta da União Europeia” seria, para Kiev, escapar à tragédia. Mas até isso é impossível. Antes de pensar na Europa, a Ucrânia precisa primeiro de se reencontrar consigo mesma – de reconhecer as suas feridas, compreender as suas divisões internas e, sobretudo, recuperar a capacidade de decidir o seu próprio destino sem depender da caridade armada dos outros.
Até lá, o sonho europeu continuará a ser apenas isso: um sonho – frágil, distante e, neste momento, impossível.
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Politicamente um ser repugnante.
O que talvez seja importante recordar é a catástrofe que seria para Portugal uma eventual entrada da Ucrânia na UE. É verdade que já é péssimo para nós que a UE esteja a alocar tantos recursos à Ucrânia, a fundo perdido. A entrada desse país na UE não só implicaria que o centro da organização se deslocaria cada vez mais para Leste mas também que Portugal deixaria de ser recipiente de fundos Europeus e passaria ao invés a ser contribuinte líquido para a “reconstrução” desse país. A entrada da Ucrânia na UE levaria pois a um ainda maior desinvestimento nos serviços públicos portugueses e nas suas infraestruturas. Na verdade, se tal algum dia se vier a verificar, não só para Portugal como para outros países colocar-se-ia isso sim a questão de saber se vale a pena continuar a fazer parte deste projecto europeu, cada vez mais afastado dos valores que o norteavam. Assim, todos aqueles em Portugal que defendem a entrada da Ucrânia da UE não passam de traidores à Pátria e como tal devem ser considerados.
Claro, eles sabem bem que depois de um país ser amarrado a Uniao Europeia vai ter de cumprir tudo o que os seus poderes ditarem não interessando em quem os desgraçados votam.
Foi o que aconteceu na Grécia em 2015 onde foram forçados a impor um sistema de miseralizacao homicida contra o qual tinham acabado de votar sob pena de um bloqueio estilo Gaza onde a única vantagem que teriam era não serem directamente bombardeados.
E isto prova bem que nem sequer acreditam na doutrinação dos ucranianos na treta da ascendência viking e da adoração a Stepan Bandera.
O que provavelmente ainda segura os ucranianos mesmo a Ocidente depois de quase quatro anos de guerra em que do Ocidente só receberam armas e apelos para lutar até ao último homem, ou mulher, e o medo a PIDE lá do sítio tal como o medo da Gestapo segurou muitos alemães apesar de cada vez mais perceberem que a guerra estava perdida.
E um projecto homicida o que se quer para a Ucrânia, gente que esta canalha nunca respeitou desde que enfiava as mulheres em casas de putas e os homens na construção civil e nos campos em condições desumanas e nalguns casos letais.
E amarrados a União Europeia terão de cumprir o mandato de lutar até ao amargo fim.
E simplesmente cruel.
Agradeço a quem tem a pachorra de ouvir essa gente pois que os engulhos do meu estômago não permitem.
Quando o zapping lá me leva só consigo apanhar uma frase ou duas.
E demasiada maldade, demasiado desprezo pela vida humana.
Vão ver se o mar da megalodonte, por muito que fossem mísero repasto para uma criatura de tal porte. Mas talvez um tubarão branco faminto se contentasse.
Gosto de trovoadas, especialmente dos relâmpagos e dos efémeros desenhos com que enfeitam o céu! Das minhas janelas, na madrugada de ontem, só conseguia ver os clarões, de modo que fiz um zapping pelos canais portugueses, na esperança de algum deles transmitir o espectáculo em directo. Nenhum estava para aí virado, mas, sorte a minha, ou melhor, azar dos Távoras (e dos Camachos), quando passei pela CNN encalhei num magnífico casal de guerreiros lusitanos, a que a minha costela masoquista não resistiu: Diana Soller e um gambozino qualquer chamado Miguel Baumgartner. Perorava assim a Solérias (ao minuto 04:50 de 5-11-25):
“Um país que, provavelmente, não está perto de entrar [para a UE], que é a Geórgia, precisamente por ter trocado de lealdade. (…) Há aqui uma coisa que, que… há duas coisas. Uma é a questão da lealdade. Eu acho que, neste momento, interessa menos se os Estados são corruptos, se são… anhhhhhhh, se não há… mas se têm lealdade ao projecto europeu, se preferem o projecto europeu ou o projecto pós-soviético, digamos assim, não é?”
Pois é, essa é a (não) questão, né? Como (não) diria o desgraçado que há dois mil anos espetaram numa cruz: “Deixai vir a mim os corruptos (e os pobres de espírito também), porque deles será o Reino dos Céus!” Porque os reinos da Terra deles são já e eu também quero uma talhada, acrescentaria a Solérias!
E entusiasmou-se ainda a Solérias, esplêndida valquíria que tomou nos dentes o freio que gamou à montada:
“A Ucrânia, em primeiro lugar, primeiro do que qualquer outro Estado, tem que ser amarrada à Europa o mais rapidamente possível! Porque o Miguel disse, muito simpaticamente, mas eu vou dizer mais brutamente: a Ucrânia é um país que, quando for a eleições, com a penetração que ainda tem de pró-russos, de russos que vivem na Ucrânia há muitos anos e que, de alguma maneira, são leais mais à Rússia do que à própria Ucrânia, apesar de esse número ter diminuído drasticamente, eles ainda lá estão. E corre-se sempre o risco, mesmo que não seja muito grande, corre-se sempre o risco de que o próximo eleito seja um eleito pró-russo!” (sic)
Topais, massas ignaras? Tocai as sirenes de alarme, porque, alerta a Solérias, existe o risco de o povo ucraniano, em eleições democráticas, decidir que lhe é mais vantajosa uma aliança com a Rússia do que com a União Europeia! Essa merda da democracia é uma coisa óptima da boca para fora, diz a Solérias! Mas convém não exagerar! Quando levada à prática, é (por definição) uma merda!
Enquanto a Solérias, de freio nos dentes, cavalgava um imaginário Tomahawk a caminho de Moscovo, o mancebo Miguel Baumgartner, qual ventoinha louca, abanava entusiasticamente a cabeça, para cima e para baixo, em entusiástica concordância, que logo de seguida verbalizou (ao minuto 04:53):
“Em relação à questão da Ucrânia, que já falámos aqui, é trazer a Ucrânia para dentro do espaço europeu, para os ter amarrados cá dentro, para nós termos a certeza que não possa haver uma eleição, ou não possa haver uma intervenção por parte da Rússia, que possa, de alguma forma, e a História está cheia de exemplos, e a Ucrânia tem tido isto — um presidente mais pró-europeu, um presidente menos pró-europeu, mais pró-russo –, que nos permita, aqui, termos, digamos, alguma… algum espaço de manobra para controlar isso. Porque, senão, a Europa tem um grande problema (…), que é termos apostado as fichas todas na Ucrânia como a nossa protecção, a nossa barreira, e de um momento para o outro vermos, por exemplo, um grande acordo entre a Ucrânia e a Rússia, com um presidente diferente, com um entendimento completamente diferente. E, depois (…), veríamos por exemplo a Eslovénia, a Hungria, a Roménia, a Bulgária, acharem que talvez seria muito melhor criarem um bloco ali, com aqueles países, do que estarem ligados ao bloco da União Europeia.” (sic)
Bué da giro, né? O mancebo recorda o passado eleitoral da Ucrânia — em que o povo, democraticamente, alternou preferências e escolheu “um presidente mais pró-europeu, um presidente menos pró-europeu, mais pró-russo” (sic) — e alerta as hostes para a necessidade de “os ter amarrados cá dentro, para nós termos a certeza que não possa haver uma eleição” (sic again) em que os ucranianos decidam, mais uma vez democraticamente, que, afinal, estão melhor com a Rússia do que com esta Europa da treta (e das tretas), que apenas tem servido para os levar ao matadouro! Em verdade vos digo que não podemos pedir manifestação de fé mais firme nas virtudes da democracia eleitoral, como expressão da vontade soberana dos povos e dos países, do que a que nos é generosamente oferecida por este intrépido mancebo e pela valquíria Solérias!
Resumindo: em vez do magnífico espectáculo celestial de raios e coriscos iluminando o céu que a minha esperança vã sonhou, levei pelas trombas com a tempestade (im)perfeita de um dilúvio de merda, bolçado pelas cloacas malcheirosas de uma valquíria que mais parece uma montra da Robbialac e um pobre avençado de terceira. Está mais do que provado, o Altíssimo não me grama!
Por acaso fiz zapping nessa mesma altura e apanhei essa parte da Sollérias e do Baú-Guarda, exactamente nesse ponto em que ela começou a elaborar, não uma, mas duas coisas, e a “amarrar a Ucrânia à Europa”, mas como já estou um pouco a borrifar-me para a porcaria que ela diz, repetindo as directrizes da cartilha que lhe compete impingir, assim como a guerra que quer instruir os portugueses a tomarem como necessariamente sua, já nem prestei qualquer atenção ao que dizia, e o que entrou pelo ouvido saiu pelo outro. É mais uma bruxa que por aí anda, e vão-lhe arranjando “parceiros fofinhos” de painel que repetem tudo o que diz sem a contrariar, pois se tiver contraditório como tinha do Agostinho Costa vinha ao de cima a sua venalidade, boçalidade e ignorância. Este o nível da TVI-CNN, cada vez mais nivelado por baixo, e cada vez menos interessante. Ultimamente o desespero de todos aqueles sabujos e serviçais é cada vez mais notório… será que algum dia serão responsabilizados por tantas mentiras e pela manipulação da audiência?
Imagino que estar ansiosamente a contar com Tomahawks para “oferecer” à Ucrânia, e depois ver que tudo não passou de mais um bluff, e quando muito levariam com umas machetes índias e não com mísseis de longo alcance, tenha causado muito desgaste emocional e afectado ainda mais a pouca saúde mental e intelectual que demonstram…
O problema é que o que a ti e a mim entra por um ouvido e sai pelo outro molda a opinião de milhares de borregos e pategos que, geralmente sem culpa própria, não sabem o que tu e eu sabemos.
«Mais parece uma montra da Robbialac» Meu, que granda Tómaóqui disparaste!🥸
Diana Solérias, com ar de condessa,
surge na CNN com muita pressa.
Com olhos de águia e pose de estrela,
declama o futuro como uma novela.
“Amarrem a Ucrânia, com nó de marinheiro!
Antes que um russo dance o fado inteiro!”
Diz com fervor, sem pestanejar,
como quem vai o Kremlin desmontar.
Ela vê espiões no supermercado,
e tanques russos no bacalhau salgado.
“Há russos no metro, no pão e no chá!
E um deles pode ser… o próximo czar!”
Miguel, coitado, tenta intervir,
mas Diana já está pronta a invadir.
“Com todo o respeito, Miguel, meu flor,
mas eu sou mais bruta — e com mais ardor!”
Com gráficos, setas e um PowerPoint,
ela aponta para Kiev como quem diz: “Don’t!”
“Se a Europa não age, com fita adesiva,
a democracia vira coisa cativa!”
E assim vai Diana, Solérias de nome,
a prever catástrofes com ar de renome.
Entre um “breaking news” e um “última hora”,
ela quer salvar a Europa … nem que seja com fita cola.🥸
Grande poeta é o povo! Amanhã vai para texto da Estátua… 🙂
Mais uma Nuticia da Folha Chegana. A Europa agora bate na China pois que o Trampas manda. Mesmo que não tenha havido houve, isso já sabemos.
Mas a termos aqui outro caso de submarinos claro que mais ladrão que quem corrompe e quem se deixa corromper por muito que os cheganos façam o pino.
Porque se há subsídios e porque há quem os queira receber.
Mas do Moedas não me espanto com nada.
Já agora, se não for uma empresa Chinesa a tomar conta do projecto será de certeza uma da terra do Tio Sam que essas sabemos que não corrompem ninguém.
Tal como a Ucrânia não era ja um dos países mais mafiosos e corruptos do mundo mesmo antes de 2014.
Mete los na União Europeia sempre foi uma forma de nos encher mos todos de moscas. Agora mais ainda.
E assim mais um país entregue a encantadores de pategos da extrema-direita, e aos auto-proclamados “moderados”, está feito em fanicos e em colapso demográfico, infra-estrutural, produtivo… estas carolas direitolas não páram…
Quando “descarrilar”, ou o ‘bug’ parar a circulação.
A culpa é do Moedas.
https://folhanacional.pt/2025/11/05/bruxelas-investiga-alegados-subsidios-chineses-em-concurso-do-metro-de-lisboa/
Não será dos capitalistas do PCC.
Não esquecer que a corrupção, a existir, só se faz com pelo menos 2 atores.